Força NACIONAL terá EFETIVO PERMANENTE que começara com 7 MIL militares / Existe uma crise militar e de segurança pública no Brasil? Discussão importante

Aparentemente nem mesmo o Ministro da Defesa acredita que a crise de segurança pública que assola o Brasil terá uma solução a curto prazo. Em entrevistas recentes Raul Jungmann se mostrou incomodado com o uso recorrente de militares das Forças Armadas para solucionar problemas de segurança mos estados da federação e disse que ainda em 2017 a Força Nacional passará a possuir um efetivo permanente. Ou seja, a instituição deve parar de receber voluntários que ficam no máximo por dois anos e investir na formação de um quadro permanente de militares. Estes serão acionados para auxiliar na solução de crises em todo o Brasil.

Entre as forças policiais regulares dos Estados e as Forças Armadas, nós deveríamos ter uma força nacional permanente…  A idéia agora é ter um corpo de 7 mil homens permanentemente prestando esse serviço”, disse Raul Jungmann.

Desprezo pelos Militares

Na opinião de militar da reserva, cientista-social e autor de livro sobre o fenômeno da “politização” dos militares graduados, ouvido pela Revista Sociedade Militar, a sociedade teria sido nas últimas décadas propositalmente conduzida a desprezar os militares e, segundo o mesmo, a reversão desse quadro estaria se iniciando exatamente agora, momento em que o discurso esquerdista, antes hegemônico, gradualmente vêm sendo superado.

As mágoas causadas pelo regime militar fizeram com que a atuação das forças armadas e auxiliares em suas diversas frentes de trabalho ao longo das últimas décadas fossem omitidas, ou vistas por um prisma negativo. Entre tantas, uma das conseqüências disso é o fato da sociedade, ignorando as demandas salariais ou relacionadas a condições de trabalho, enxergar os militares – tanto estaduais como federais – como uma espécie de sub-cidadão. O que importa é que estejam prontos na hora em que se fizerem necessários”, disse.

Nessa primeira semana de fevereiro, durante entrevista a grande rede de comunicações , o Ministro da DEFESA expressou seu desconforto pelo fato de as Forças Armadas serem acionadas para atuar como policiais no Espírito Santo. O efetivo de militares federais presentes para dar segurança para a sociedade capixaba já ultrapassa o número de policiais do estado em serviço e a situação aos poucos volta à normalidade. Mas, é evidente que a situação é desconfortável e que tem que ser gerida com habilidade. Alguém imagina a confusão que pode ocorrer se soldados do exército foram usados para remover a força esposas de policiais da frente dos batalhões? O Rio de Janeiro vive uma situação smilar e tropas já são deslocadas para suprir as lacunas causadas pela manifestação das famílias dos policiais carocas.

QUARTEL POLICIA FECHADO SOCIEDADE MILITARRemuneração e Jornada de trabalho dos militares

Ao mesmo tempo em que são acionados para sanar problemas em vários locais do Brasil os militares das Forças Armadas sobrevivem com os piores salários do funcionalismo público e são destituídos de direito a greve, sindicalização, habeas corpus, horas extras etc. Contudo, mesmo com os militares cada vez mais presentes, paradoxalmente nos últimos meses cresce uma campanha de órgãos de imprensa para torná-los os grande vilões do chamado déficit da previdência.

Há décadas que a administração foi passada para os civis. Mas, parece que a coisa não acaba. Jornalista influente da rede Globo ao entrevistar o governador do Espírito Santo perguntou incisivamente, em tom de reprovação se a ação de apoio das Força Armadas não seria uma INTERVENÇÃO MILITAR no seu estado e POR QUE o comando da operação devia ficar com as Forças Armadas.

Militares das Forças Auxiliares, embora não tão atacados quanto os das Forças Armadas sofrem também com o citado desprestígio. Também sem direito à greve e sindicalização os militares deveriam ser contemplados com reajustes que cobrissem a perda inflacionária e cargas de trabalho condizentes com a atividade que exercem. Mas, isso não acontece e muitos padecem com salários miseráveis, cargas de trabalho extenuantes, assistência médica precária para si e seus familiares e equipamentos de proteção obsoletos ou insuficientes.

No passado existia a Inspetoria Geral das Polícias Militares, gerida por militares das Forças Armadas. O órgão observava de perto as forças auxiliares e não permitia que seus comandos fossem escolhidos com base em conchavos políticos e, conseqüentemente, que a tropa se tornasse em mera milícia mal paga a serviço de políticos.

Qualquer militar sabe que a lealdade é uma via de mão dupla, se o soldado percebe que o comando serve mais ao político que o escolheu do que a própria tropa que comanda é certo que ocorrerão problemas disciplinares.

Essa questão é tão importante que, embora não colocada em prática e talvez inviável por questões hierárquico-militares, vale mencionar a sugestão feita por bombeiros do Rio de janeiro. Eles sugeriram que o comando da corporação fosse escolhido pela própria tropa.

Minas Gerais e Distrito Federal

Algumas corporações destoam da maioria, como a polícia de Minas Gerais, que tendo vários representantes em âmbito estadual e federal conseguiu alterações importantes nas normas. Em MG o regulamento disciplinar se transformou em código de ética e acabaram as prisões disciplinares. O estado funciona como uma espécie de “laboratório”, todos observamos como se dão os inter-relacionamentos na tropa depois dessas modificações.

A PMDF é outra que destoa do restante das corporações, lá os policiais recebem os maiores salários do país, bem maiores até do que o dos militares das Forças Armadas.  A situação gera bastante desconforto nos militares das FA. Contudo, a grande maioria das corporações estaduais paga salários iniciais na casa dos 2 mil reais e ainda submete a tropa a jornada de trabalho e regulamentos arcaicos, criados há décadas.

A editoria da Revista Sociedade Militar questionou alguns militares sobre a situação atual do país no que diz respeito às corporações militares e o contexto atual. É evidente que ha mudança de comportamento e até no discurso dos comandantes. Pouca vezes se viu um oficial general mencionar que militares não recebem horas extra, como fez o comandante do Exército na semana passada quando, em jornal de grande circulação perguntou se a sociedade estaria disposta a pagar as horas extra dos militares. Parece que o momento atual exige posicionamentos mais firmes, pragmáticos.

Vale a pena conhecer suas posições.

Opiniões

Marco Balbi, Cel Reformado do EB diz que acredita que a manifestação dos policiais militares não partiu exclusivamente de dentro das corporações, ele acha que os movimentos foram “insuflados” por organizações que se aproveitaram “da dificuldade que eles vivem no momento, todos ganhando mal, além da deficiência de adestramento, material, restrições de toda a ordem que os cada vez mais escassos orçamentos estão impondo

Diz ainda que a partir do ocorrido “todo o planejamento operacional vai precisar ser refeito … priorizando meios eletrônicos, cobertura por câmeras interligadas às existentes nas propriedades particulares, drones etc. Tudo sob a liderança de uma oficialidade dedicada e competente.”

O Militar diz ainda que acredita que  tanto o comando militar quanto o político falham no gerenciamento das crises em curso.

estão falhando na condução do problema da greve das polícias militares e temo pelo desdobramento, possivelmente com mais violência.

Em relação às Forças Armadas o coronel acredita que os comandantes assumiram a postura que deveriam assumir diante dos ataques da imprensa que tentam transformar as forças armadas nos grandes vilões da previdência social, da qual sequer fazem parte.  “os Comandantes das três forças passaram a verbalizar, cada um ao seu modo, mas de uma maneira muito enfática, afirmando que o sistema de proteção social tem que ser preservado e a remuneração melhorada.

Outro Militar, da Marinha, J.Machado, na reserva há apenas um ano, disse que a questão passa pela politização da tropa e pelo exemplo de conquistas obtidas em movimentos do passado recente.

Eu acho que não só o militar mas toda a população tem se aproximado mais das questões políticas… Brasileiros que antes não liam estão lendo e discutindo os assuntos pela internet. E os militares também estão se manifestando e vendo que é possível obter resultados positivos. Quando uma força se mobiliza e consegue uma conquista isso serve de modelo para as outras. Como foi o caso dos bombeiros do RJ

G.Lima Corrêa, Militar na Graduação de Suboficial (R1) acredita que “as coisas estão mudando e a corrupção da classe política afeta muito o modo de agir dos militares, principalmente estaduais. Se o comando é escolhido e mantido ao bel prazer do governador e ganha gratificações diferenciadas pelo cargo, por que os policiais acreditariam que o comandante vai se indispor com o governo e brigar por direitos de sua tropa? A coisa passa por aí, pela liderança – lealdade. Liderar não é só mandar. O manual de LIDERANÇA da Marinha traz uma referência interessante que cita um requisito indispensável para um líder militar, o carisma, que é […] carisma (influência idealizada) associado com um grau elevado de poder de referência por parte do líder, que é capaz de despertar respeito, confiança e admiração…”

Em resumo, o líder militar tem que ser admirado pelo subordinado. E definitivamente os comandantes da polícia do Rio e do Espírito Santo não o são. O comandante do EB que saiu foi bastante criticado pelas “não posições” diante do esmagamento salarial da tropa. O atual comandante percorre um caminho diferente,  tem comportamentos bem simples, sabe estabelecer contato com a tropa e tem expressado uma posição firme em favor dos militares.”

Revista Sociedade Militar

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