Auditor de carreira, novo ministro da Transparência já foi capitão do Exército

Júnia Gama e Renata Mariz – O Globo
BRASÍLIA – Alçado a ministro interino da Transparência após o impasse com a recusa de Osmar Serraglio em assumir o comando da pasta, Wagner Rosario que passou 27 anos servindo ao Exército. Antes de se tornar servidor da Controladoria-Geral da União (CGU), em 2009, Rosario era capitão com formação na Academia Militar das Agulhas Negras.
Sua vocação para a área de Controladoria se mostrou tardia. Antes de ingressar no órgão – que se tornou Ministério da Transparência sob a gestão Michel Temer –, Rosario teve uma ampla formação na área de Ciências da Saúde. A primeira formação foi em Educação Física, curso no qual se graduou em 2000, pela Escola de Educação Física do Exército. Depois, fez uma especialização em Fisiologia do Exercício e Avaliação Morfofuncional, na Universidade Gama Filho. Seu trabalho de conclusão foi sobre os “efeitos da suplementação de creatina no desempenho de corrida de 400m rasos”.
Em seguida, Rosario decidiu fazer uma especialização em Ciências Militares, na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, para estudar a “Validação Cruzada do Procedimento antropométrico de COHEN para a estimativa do percentual de gordura em militares masculinos”. Em 2003, ele concluiu um mestrado em Educação Física na Universidade Católica de Brasília.
Foi somente em 2009 que Rosario se tornou auditor federal de Finanças e Controle. Em 2015, abraçou de vez a carreira e ingressou em um mestrado em Corrupção e Estado de Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha. Lá, publicou a tese “O papel do controle interno na luta contra a corrupção, com ênfase na investigação conjunta desenvolvida no Brasil e na Espanha”, em 2016. Pouco tempo depois de retornar ao Brasil da temporada de dois anos na Espanha, tornou-se secretário-executivo do ministério.
Wagner Rosário é apontado por colegas como um perfil técnico. Ocupou por seis anos um cargo na Coordenação de Operações Especiais da CGU, que participa de ações em conjunto com outros órgãos, como Polícia Federal e Ministério Público Federal, em casos graves de dano ao erário com evidências de corrupção. Por esse motivo, mantém bom trânsito entre as instituições, incluindo a Advocacia-Geral da União.
Ontem, Rosário convocou todos os servidores, após o protesto ao redor do prédio contra a indicação de Osmar Serraglio ao Ministério da Transparência, que rejeitou o cargo nesta terça-feira. Naquele momento, segundo funcionários do órgão presentes à reunião, o então secretário-executivo afirmou que a pasta é um órgão de Estado e que todos deveriam atuar de acordo com essa diretriz, independentemente do cenário político. Rosário é apontado por colegas como um servidor sem vinculação aparente com sindicatos ou partidos políticos.
EXTRA/montedo.com

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